Receber a notícia de que seu filho mordeu outra criança na escola ou foi mordido pode gerar angústia, vergonha e muitas dúvidas. Se você está se perguntando o que fazer quando a criança morde na escola ou em casa, saiba que esse comportamento é mais comum do que imagina, especialmente entre bebês e crianças pequenas de 1 a 3 anos de idade.
As mordidas fazem parte do desenvolvimento infantil em muitos casos, mas isso não significa que devam ser ignoradas. Neste guia completo, você vai entender as causas desse comportamento, como reagir adequadamente e quais estratégias realmente funcionam para ensinar seu pequeno a expressar sentimentos de formas mais saudáveis.
Por Que as Crianças Mordem? Entendendo as Causas
Antes de saber o que fazer quando a criança morde, é fundamental compreender as razões por trás desse comportamento. Diferentemente do que muitos pensam, a mordida raramente é um ato de maldade ou agressividade intencional.
Desenvolvimento da Linguagem Limitado
Crianças pequenas ainda não desenvolveram completamente a capacidade de expressar verbalmente suas emoções, frustrações e necessidades. A mordida surge como uma forma de comunicação quando as palavras ainda não estão disponíveis. É a maneira que encontram para dizer “estou com raiva”, “isso é meu” ou “saia daqui”.
Exploração Sensorial
Bebês e crianças muito pequenas exploram o mundo através da boca. Durante a fase oral do desenvolvimento, morder objetos e até pessoas faz parte do processo natural de descoberta das texturas, sensações e do próprio corpo.
Dentição Desconfortável
O nascimento dos dentinhos causa desconforto significativo nas gengivas. Muitas crianças mordem para aliviar essa sensação incômoda, sem compreender que estão machucando outra pessoa.

Busca por Atenção
Algumas crianças descobrem que morder gera uma reação imediata e intensa dos adultos. Mesmo que seja uma reação negativa, para uma criança carente de atenção, qualquer interação pode ser melhor que ser ignorada.
Frustração e Falta de Autocontrole
A capacidade de controlar impulsos ainda está em desenvolvimento na primeira infância. Quando frustradas, cansadas, com fome ou superestimuladas, as crianças podem morder como resposta imediata à sobrecarga emocional.
Imitação de Comportamento
Crianças aprendem observando. Se viram outras crianças mordendo ou se foram mordidas anteriormente, podem reproduzir esse comportamento, testando causa e efeito.
O Que Fazer Quando a Criança Morde: Resposta Imediata
A forma como você reage nos primeiros momentos após a mordida é crucial para ensinar seu filho sobre limites e comportamento adequado.
Intervenha Imediatamente
Assim que perceber a mordida, interrompa a ação de forma firme mas calma. Diga “não” com voz séria e retire a criança da situação. A intervenção imediata ajuda a criar a conexão entre a ação e a consequência.
Mantenha a Calma
Por mais difícil que seja, evite gritar, e jamais bater ou morder a criança de volta. Reações explosivas podem assustar seu filho sem que ele compreenda o real problema, além de modelar justamente o tipo de comportamento agressivo que você deseja eliminar.
Use Frases Curtas e Diretas
Com crianças pequenas, menos é mais. Use frases simples como “Não pode morder. Morder machuca.” O tom de voz firme é mais importante que longos discursos que a criança ainda não consegue processar.
Dê Atenção à Vítima Primeiro
Antes de focar no seu filho que mordeu, volte sua atenção para a criança que foi mordida. Isso ensina empatia e mostra que morder não é uma forma eficaz de conseguir atenção. Conforte a vítima, limpe o ferimento se necessário e demonstre cuidado.
Remova a Criança da Situação
Leve seu filho para um local calmo, longe dos estímulos e da situação que gerou a mordida. Isso não é exatamente um “castigo”, mas sim uma pausa necessária para que todos se acalmem.
Evite Rótulos Negativos
Nunca chame seu filho de “mordedor”, “mal-educado” ou “criança má”. Isso pode criar uma identidade negativa e fazer com que a criança internalize esse comportamento como parte de quem ela é, perpetuando o problema.
Estratégias de Longo Prazo: Como Lidar com Criança que Morde
Resolver o comportamento de morder requer estratégias consistentes aplicadas ao longo do tempo. Aqui estão as mais eficazes.

Ensine Alternativas de Comunicação
Ajude seu filho a desenvolver um vocabulário emocional adequado à idade. Ensine palavras simples como “meu”, “não”, “parar”, “com raiva”. Para bebês, ensine sinais simples ou gestos que possam usar para comunicar necessidades.
Pratique situações do dia a dia usando bonecos ou fantoches, mostrando como pedir algo emprestado, como expressar frustração com palavras ou como pedir ajuda de um adulto quando algo incomoda.
Ofereça Objetos Apropriados para Morder
Se a mordida está relacionada à dentição ou necessidade sensorial, ofereça mordedores, brinquedos de borracha ou até alimentos firmes e seguros como cenouras cruas (supervisionadas). Diga “você pode morder isto” enquanto oferece a alternativa.
Supervisione as Interações
Crianças que mordem precisam de supervisão constante durante brincadeiras com outras crianças. Observe os sinais de frustração, cansaço ou superestimulação que precedem a mordida e intervenha preventivamente.
Reforce Comportamentos Positivos
Sempre que seu filho expressar frustração com palavras, pedir ajuda ou brincar gentilmente com outras crianças, elogie especificamente esse comportamento. “Que legal como você usou palavras para dizer que estava com raiva!” ou “Adorei ver você compartilhando gentilmente!”
Estabeleça Rotinas Previsíveis
Crianças que mordem frequentemente estão em situações de estresse. Mantenha horários regulares de sono, alimentação e brincadeiras. A previsibilidade reduz a ansiedade e, consequentemente, comportamentos impulsivos.
Trabalhe a Empatia
Quando seu filho estiver calmo, converse sobre como a outra criança se sentiu. Use linguagem simples: “Viu como a Maria chorou? A mordida doeu nela. Quando você se machuca, também dói, não é?” Livros infantis sobre emoções e gentileza são excelentes ferramentas.

Mantenha Consistência
Todos os cuidadores (pais, avós, babás, professores) devem seguir a mesma abordagem. A inconsistência confunde a criança e torna o aprendizado muito mais difícil.
Mordidas na Educação Infantil: Como Trabalhar com a Escola
Quando a mordida acontece na escola, a parceria entre família e instituição é essencial.
Comunique-se Abertamente com os Educadores
Converse francamente com os professores sobre o comportamento do seu filho em casa. Compartilhe estratégias que funcionam e esteja aberto para ouvir observações sobre gatilhos específicos no ambiente escolar.
Entenda o Protocolo da Escola
Cada instituição tem procedimentos específicos para lidar com mordidas. Algumas escolas fazem relatórios, outras convocam reuniões com os pais. Compreenda e respeite essas políticas, que existem para proteger todas as crianças.
Não Exija Punições Severas
Lembre-se que crianças pequenas que mordem não são “vilãs”. Punições excessivamente duras não ensinam o comportamento correto e podem traumatizar. O foco deve estar no ensino e na prevenção, não na punição.
Peça Observações Específicas
Solicite que os professores anotem quando, onde e em que contexto as mordidas acontecem. Há algum padrão? Sempre no final do dia quando está cansado? Durante disputas por brinquedos? Essas informações são valiosas para criar estratégias preventivas.
Trabalhe em Equipe
Implemente em casa as mesmas técnicas usadas na escola e vice-versa. A consistência entre ambientes acelera significativamente a mudança de comportamento.
Quando a Preocupação se Justifica: Sinais de Alerta
Embora morder seja normal em certos estágios, existem situações que merecem atenção profissional mais aprofundada.
Comportamento Persistente Após os 3 Anos
Se a criança continua mordendo frequentemente após os três anos de idade, quando já deveria ter desenvolvido melhor controle de impulsos e comunicação verbal, pode ser necessário buscar orientação de um psicólogo infantil.
Mordidas Muito Violentas
Mordidas que causam ferimentos graves, que rompem a pele frequentemente ou que são acompanhadas de outros comportamentos violentos extremos requerem avaliação profissional.
Ausência de Remorso ou Empatia
Se a criança não demonstra nenhuma preocupação com a dor que causou, mesmo após os dois anos e meio ou três anos, isso pode indicar dificuldades no desenvolvimento emocional que precisam ser investigadas.
Outros Comportamentos Problemáticos
Quando a mordida vem acompanhada de agressividade generalizada, dificuldades extremas de socialização, atrasos significativos na fala ou outros sinais de desenvolvimento atípico, a avaliação de especialistas é importante.
Impacto na Vida Social
Se o comportamento está impedindo que a criança seja aceita em escolas, seja convidada para festinhas ou esteja causando isolamento social significativo, intervenção profissional pode ajudar.
Lidando com Seus Próprios Sentimentos
Descobrir que seu filho mordeu outra criança pode despertar sentimentos intensos de vergonha, culpa e inadequação como mãe ou pai.
Você Não é um Fracasso
Crianças mordem. Isso não reflete diretamente sua capacidade como pai ou mãe. É parte do desenvolvimento infantil que requer orientação paciente, não um sinal de falha parental.
Evite a Vergonha Paralisante
A vergonha pode nos fazer reagir de forma excessiva ou nos paralisar completamente. Respire fundo, lembre-se que isso é temporário e foque em soluções construtivas ao invés de se martirizar.
Busque Apoio
Converse com outros pais, participe de grupos de apoio ou busque orientação de profissionais. Você não está sozinha nessa jornada e compartilhar experiências pode trazer novas perspectivas e alívio.
Perdoe-se e Perdoe Seu Filho
Todos cometem erros no processo de criação e educação. Seu filho está aprendendo a navegar um mundo complexo com ferramentas limitadas. Paciência e amor são seus maiores aliados nesse processo.
Prevenção: Reduzindo a Probabilidade de Mordidas
Algumas estratégias preventivas podem diminuir significativamente a frequência das mordidas.
Antecipe Situações de Risco
Se você sabe que seu filho tende a morder quando está cansado ou com fome, evite situações sociais estressantes nesses momentos. Ofereça lanches saudáveis antes de brincadeiras em grupo e respeite os horários de sono.
Ensine Habilidades Sociais Proativamente
Não espere o conflito acontecer. Use brincadeiras de faz de conta para ensinar compartilhamento, espera de vez, pedidos gentis e resolução de conflitos.
Reduza Estímulos Excessivos
Ambientes muito barulhentos, agitados ou com muitas crianças podem sobrecarregar crianças sensíveis. Observe os limites do seu filho e respeite quando ele precisa de ambientes mais calmos.
Valide os Sentimentos
Antes que a frustração se transforme em mordida, valide o que seu filho está sentindo. “Eu sei que você quer esse brinquedo. É difícil esperar, né? Vamos respirar juntos enquanto esperamos sua vez.”
Promova Descarga de Energia
Crianças precisam de oportunidades diárias para gastar energia física. Brincadeiras ativas, parques, corridas e movimentos amplos ajudam a regular o sistema nervoso e reduzem comportamentos impulsivos.
Considerações Finais
Saber o que fazer quando a criança morde na escola ou em casa é fundamental para todos os pais e educadores. Lembre-se que esse comportamento é geralmente transitório e, com intervenção adequada, consistência e muita paciência, a grande maioria das crianças supera essa fase sem consequências duradouras.
O mais importante é manter a calma, responder com firmeza mas sem agressividade, ensinar alternativas de comunicação e trabalhar em parceria com a escola. Cada criança é única e o tempo necessário para superar esse comportamento varia, mas com amor, limites claros e estratégias consistentes, seu filho aprenderá formas mais adequadas de expressar suas emoções e necessidades.
Se você perceber que, apesar de todos os esforços, o comportamento persiste ou se intensifica, não hesite em buscar ajuda profissional. Psicólogos infantis e terapeutas ocupacionais são treinados para avaliar e intervir em questões de desenvolvimento comportamental, oferecendo suporte personalizado para sua família.
A jornada da maternidade e paternidade está repleta de desafios como esse, mas cada obstáculo superado fortalece o vínculo com seu filho e contribui para seu desenvolvimento saudável. Você está fazendo um ótimo trabalho ao buscar informação e estratégias para ajudar seu pequeno. Continue nesse caminho com paciência, amor e consistência, e os resultados virão.
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